Aula 2
Cartesian
MBA Gerenciamento de Obras · UNIVALI · Turma IV

Gestão de obra na prática: canteiro, suprimentos e controle

Aula 2 — do plano ao dia a dia da obra. Mão na massa no canteiro, compras que chegam a tempo e o controle que fecha o ciclo.
Prof. Leonardo KockCartesian EngenhariaFim de semana 2 · ~10h
Onde paramos · para onde vamos

Semana passada a gente planejou. Hoje a gente opera e controla.

  • Aula 1 (feito): gestão do planejamento (Last Planner, histograma), canteiro físico (layout, transporte, NR-18), Lean, restrições e os conceitos de suprimentos (ABC, lead time, cronograma de compras).
  • Aula 2 (hoje): gerir a obra como um todo → mão na massa no canteiro (app) → suprimentos na prática (como se faz de verdade) → controlar a obra (curva-S, valor agregado).
O contrato de hojeNão vamos repetir o que vocês já viram. Hoje é o como fazer: a planilha que a Cartesian roda na obra, o app que vocês vão usar agora, e os números que dizem se a obra está indo bem.
Cartesian · UNIVALIAula 2 · abertura
Bloco 1 · para entrar no clima
01

Gerir uma obra

O que é, de fato, tocar uma obra do primeiro caminhão ao habite-se
O tripé do gerenciamento

Toda obra equilibra três pernas — e elas puxam umas às outras

O quê

Escopo

tudo que tem que ser entregue

Quando

Prazo

a data que não pode furar

Quanto

Custo

o orçamento que segura a margem

A lei de ferroMexeu numa perna, as outras reagem. Adiantar o prazo sem mexer no escopo → o custo sobe. Cortar custo sem mexer no prazo → o escopo encolhe. No centro de tudo: qualidade e segurança, que nunca são moeda de troca.
Cartesian · UNIVALIGestão de obra · tripé
Experimente · trave duas

Bom, rápido e barato: escolha dois

Escopo Prazo Custo
Clique nas duas prioridades que a obra não pode abrir mão. Veja o que sobra pra ceder.
Cartesian · UNIVALIGestão de obra · triângulo de ferro
Além do tripé

O gestor equilibra seis frentes ao mesmo tempo

Escopo
o que entregar
Prazo
quando entregar
Custo
com quanto
Qualidade
do jeito certo
Segurança
sem ninguém se machucar
Suprimentos
com material na mão
Por que suprimentos entra aquiAs três de cima são o clássico. Mas qualidade, segurança e suprimentos são o que, na prática, decide se as três de cima acontecem. Material que não chega derruba prazo, custo e escopo de uma vez só.
Cartesian · UNIVALIGestão de obra · seis frentes
O ciclo que nunca para

Gerir é rodar o ciclo planejar → executar → controlar → agir

P

Planejar

escopo, prazo, custo, canteiro, compras

D

Executar

tocar a obra no dia a dia

C

Controlar

medir real × previsto

A

Agir

corrigir o rumo e replanejar

O mapa da aula de hojeAula 1 foi o P. Hoje mergulhamos no D (canteiro + suprimentos na prática) e fechamos no C e no A (curva-S e valor agregado). O ciclo gira a obra inteira.
Cartesian · UNIVALIGestão de obra · PDCA
O papel do gestor

O gestor não faz — ele integra

Cartesian · UNIVALIGestão de obra · papel do gestor
Como as disciplinas se conectam

Uma única espinha costura a obra inteira

PROJETO
O que construir
plantas, IFC, memorial
ORÇAMENTO
Quanto custa
quantitativos + preços
PLANEJAMENTO
Quando e com quem
prazo, equipes, canteiro
SUPRIMENTOS
Com que material
plano de compras
PRODUÇÃO
Fazer acontecer
execução + controle
A ideia que amarra a aulaÉ a mesma EAP (Estrutura Analítica do Projeto) que vira preço no orçamento, prazo no planejamento e lista no plano de compras. Uma quebra bem feita alimenta todo o resto.
Cartesian · UNIVALIGestão de obra · integração
Os números que medem a obra

Toda obra se mede por — mas qual m²?

Quanto área conta

Área equivalente

o m² "de custo", não o m² bruto

·
R$ por m²

CUB

o custo de referência do mercado

·
Hh por m²

Produtividade

quanta mão de obra a obra consome

Por que isso importa hojeO Pm (Hh/m²) é o que dimensiona o efetivo que você vai calcular no app daqui a pouco. E o CUB sobre a área equivalente é a primeira leitura de custo de qualquer obra. Os três dependem de acertar qual é o m².
Cartesian · UNIVALINúmeros por m²
Área equivalente · NBR 12721

Nem todo m² custa igual

Uma garagem no subsolo não custa o mesmo que um apartamento. A NBR 12721 converte a área real em área equivalente: cada tipo de área vale uma fração da área de padrão, conforme o custo relativo dela.

Coeficientes usuais (a NBR fixa por projeto, comparando custos)
Tipo de áreaCoeficienteLeitura
Área privativa / padrão da unidade1,00a referência — custo cheio
Garagem / subsolo coberto0,50 – 0,75menos acabamento, menos custo
Varanda / terraço / área coberta aberta0,50 – 0,75coberta, mas sem fechamento pleno
Áreas descobertas (piscina, quadra, jardim)0,00 – 0,30pouco ou nada de construção
A regra da normaCoeficiente = custo estimado daquela área ÷ custo da área de padrão. Some tudo e você tem a área equivalente de construção — o m² que entra no CUB.
Cartesian · UNIVALIÁrea equivalente
Na prática

6.000 m² reais → 5.050 m² equivalentes

ÁreaReal (m²)Coef.Equivalente (m²)
Privativa + comum padrão4.0001,004.000
Garagem (subsolo)1.5000,60900
Áreas descobertas5000,30150
Total6.0005.050
O erro que custa caroEstimar por 6.000 × CUB superfatura a obra em ~19%. O custo por CUB usa a área equivalente (5.050). Confundir área bruta com equivalente é um dos erros mais comuns de viabilidade.
Cartesian · UNIVALIÁrea equivalente · exemplo
CUB · Custo Unitário Básico

O termômetro de custo da construção

Referência realNum paramétrico Cartesian em Florianópolis, o CUB usado foi R$ 3.028/m² (data-base do projeto). O CUB muda todo mês e por estado — sempre cite a data-base.
Cartesian · UNIVALICUB · o que é
O que o CUB inclui — e o que NÃO

CUB não é o custo total da obra

O CUB cobre (lote básico)
Materiais dos serviços do projeto-padrão
Mão de obra + encargos sociais
Equipamentos, ferramentas e despesas de administração da obra
Estrutura, alvenaria, revestimentos, esquadrias, pintura, instalações comuns
O CUB NÃO cobre
Terreno, fundações especiais e contenções
Elevadores, gerador, ar-condicionado, paisagismo, playground, muros
Projetos e honorários técnicos
Impostos, taxas, BDI/lucro e custos financeiros
Ligações definitivas de água, luz, esgoto, gás
A conta honestaCusto real = área equivalente × CUB + tudo que o CUB não cobre. Por isso o R$/m² de uma obra real fica acima do CUB — quem esquece isso subestima o orçamento.
Cartesian · UNIVALICUB · o que cobre
CUB ratio · lendo o padrão

Quanto sua obra pesa em CUB

CUB ratio = (R$/m² da obra) ÷ CUB
1,0 → padrão do projeto-padrão1,2 – 1,5 → alto padrão< 1,0 → econômico
Por que a Cartesian usaO CUB ratio é atemporal e regional-neutro: um alto padrão dá ~1,3 CUB em qualquer estado e em qualquer mês. Vira o benchmark pra saber se o R$/m² de uma obra faz sentido — independentemente da inflação e da praça.
Cartesian · UNIVALICUB · como usar
RUP · a base do Pm

RUP: o homem-hora de cada serviço

O pontoRUP não é chute — é medição. Por isso o efetivo estimado a partir dela tem lastro: são horas que a obra realmente consumiu, obra após obra.
Cartesian · UNIVALIRUP · o que é
Simulador · calcule a RUP

Mão na massa: Hh ÷ produção

Cartesian · UNIVALIRUP · simulador
Produtividade · Pm (Hh/m²)

Pm: quantas horas de gente por m² de obra

Pm = total de homem-hora do orçamento ÷ área construída. É a soma das RUPs (Razão Unitária de Produção, Hh/m²) de cada serviço. Na Cartesian, sai da planilha de estimativa de prazo, serviço por serviço.

Composição do Pm (ordens de grandeza — RUP por família de serviço)
Família de serviçoRUP (Hh/m²)
Estrutura (fôrma + armação + concreto)~12 – 16
Alvenaria e vedações~6 – 9
Revestimentos (parede, piso, teto)~10 – 14
Instalações + esquadrias + pintura + demais~8 – 12
Pm total (residencial vertical padrão)≈ 43 Hh/m²
O número da CartesianPara o padrão de obra da Cartesian, o Pm de referência é ~43 Hh/m². Padrão mais alto (mais acabamento) sobe; obra mais simples desce.
Cartesian · UNIVALIProdutividade · Pm
Por que só essas famílias

Cada serviço tem sua RUP — somadas, dão o Pm

FechandoSomadas as RUPs das famílias de produção, dá ~43 Hh/m² pro padrão Cartesian. Estrutura mais simples desce; muito acabamento sobe.
Cartesian · UNIVALIRUP · por que essas famílias
Do Pm ao efetivo · você vai usar isso no app

Quantas pessoas a obra precisa

Efetivo médio N = Área × PmPrazo × 180
Pm = Hh/m² (~43)180 ≈ Hh/mês por operário (22 dias × 8 h)N = efetivo médio; o pico vem do histograma
No cenário de hoje14.000 m² × 43 ÷ (20 × 180) ≈ 167 pessoas. É a mesma conta que o app faz no Passo 1 — e o pico (acabamento) é ainda maior que essa média. Guardem esse número: ele dimensiona vivência, transporte e canteiro.
Cartesian · UNIVALIProdutividade · efetivo
"

Planejar é fácil no papel. A obra acontece no canteiro e no caminhão de entrega.

Vamos pro concreto: primeiro o canteiro, na mão de vocês.
Bloco 2 · mão na massa
02

Dimensionar um canteiro — de verdade

Vocês vão usar o Designer de Canteiro no computador · atividade prática
Por que essa atividade

Na Aula 1 vimos a teoria. Agora vocês dimensionam

Cartesian · UNIVALIPrática · por quê
A obra-tipo de hoje

O cenário que todos vão dimensionar

Residencial vertical — dados de entrada da atividade
ParâmetroValorDe onde vem
Área construída total14.000 m²quadro de áreas do projeto
Prazo de obra20 mesescontrato / planejamento
Pavimentos-tipo15 + térreoprojeto arquitetônico
Subsolos2 (garagem)projeto
Produtividade média (Pm)43 h/m²referência Cartesian (Hh/m²)
Terreno disponível2.000 m² (urbano)implantação → canteiro restrito
O que o app vai devolver na horaEfetivo médio ≈ 14.000 × 43 ÷ (20 × 180) ≈ 167 pessoas (o pico, no acabamento, é maior) — e com 16 pavimentos, o gatilho da NR-18 já obriga elevador de passageiro.
Cartesian · UNIVALIPrática · cenário
Passo a passo no app

Cinco passos no app

OndeAbra canteiro.cartesianengenharia.com — a conta já vai estar liberada.
  1. Entrar e abrir projeto. Faça login, crie um projeto com o seu nome.
  2. Passo 1 — Dados da obra. Digite os números do cenário. Veja o efetivo de pico aparecer e o gatilho de transporte vertical.
  3. Passo 2 — Programa de necessidades. Clique em "gerar programa": vivência (vasos, chuveiros, vestiário, refeitório), produção e grua saem calculados. Ajuste se quiser.
  4. Passo 3 — Layout. Posicione os blocos à escala real. Coloque a grua, separe fluxo de gente e de carga, veja a ocupação do terreno.
  5. Passo 4 — Custo. Veja o canteiro consolidar em R$/m². Exporte o PNG do seu layout.
Cartesian · UNIVALIPrática · passo a passo
Enquanto faz, repare

Onde mora a decisão de engenharia

Cartesian · UNIVALIPrática · o que observar
Como vamos rodar

Dinâmica e tempo

  • Duplas. Um mexe no app, o outro questiona as decisões. Trocam no meio.
  • ~40 min de mão na massa: 10 min dados + programa · 20 min layout · 10 min custo + export.
  • ~15 min de discussão: 2-3 duplas mostram o layout na projeção.
Entregável da atividadeO PNG do layout + três frases: (1) qual foi o pico de efetivo, (2) por que a grua ficou onde ficou, (3) quanto o terreno apertou (% de ocupação).
Cartesian · UNIVALIPrática · dinâmica
Fechando a atividade

Dois canteiros para a mesma obra ficaram diferentes. Qual está certo — e por quê?

Bloco 3 · o coração da disciplina
03

Suprimentos: do conceito à prática

Vocês já sabem o "o quê". Hoje é o como se faz de verdade na obra
O salto de hoje

Semana passada: o que é curva ABC, lead time e cronograma de compras. Hoje: a planilha real que faz isso girar.

O fio condutor

O plano de compras não nasce do nada — nasce da EAP

EAP / ORÇAMENTO
Quantitativos
quanto de cada insumo
PLANEJAMENTO
Quando cada serviço
data de necessidade na obra
PLANO DE COMPRAS
O que pedir e quando
data-limite do pedido
Rastreável, não chuteA quantidade de aço, bloco e revestimento sai do orçamento executivo por pavimento. A data em que precisa sair do cronograma. Junte os dois e você tem o plano de compras — com origem em cada número.
Cartesian · UNIVALISuprimentos · a mesma EAP
Da quantidade à data

Cada material ganha uma quantidade e uma data

A conta que a Aula 1 já deuData do pedido = necessário − lead time − margem. Hoje a gente abre o "lead time" e mostra que ele é bem maior do que parece.
Cartesian · UNIVALISuprimentos · quantitativo datado
"

O lead time do fornecedor não é o ciclo de compras da sua empresa.

Fabricar leva X dias. Mas cotar, aprovar e contratar — dentro de casa — muitas vezes leva mais.
Abrindo o "lead time"

O ciclo de compras tem seis etapas — só a última é o fornecedor

Ciclo de compras de um elevador (exemplo real, em dias)
EtapaDiasQuem faz
1. Solicitação (a obra pede)30engenharia da obra
2. Autorização (libera verba)5direção / financeiro
3. Cotação (3 propostas)60suprimentos
4. Aprovação da compra20direção
5. Contratação30jurídico / suprimentos
6. Fabricação + entrega120fornecedor
Ciclo total265 dias ≈ 38 semanas~9 meses!
Cartesian · UNIVALISuprimentos · ciclo de 6 etapas
Simulador · escolha o item

Quando o pedido tem que sair?

Cartesian · UNIVALISuprimentos · simulador de ciclo
Não é teoria de sala

A planilha que a Cartesian roda na obra

  • Uma linha por serviço/material. Cada linha carrega as 6 etapas do ciclo, com previsto × realizado.
  • Responsável nomeado. Não é "o setor de compras" — é a pessoa que responde por aquela linha.
  • Data-limite do pedido calculada. A planilha recua da data de necessidade e acende o vermelho quando o pedido está atrasado.
  • Vira kanban. Cada serviço vira um card (Trello) com o checklist das 6 etapas — gestão visual, igual ao canteiro Lean.
Por que isso importaUm cronograma de compras que ninguém atualiza é decoração. O que segura obra é previsto × realizado com dono e data — a planilha vira um instrumento de cobrança, não um anexo.
Cartesian · UNIVALISuprimentos · planilha real
Da EAP às famílias de compra

Os macrogrupos da EAP já são suas famílias de compra

O atalhoVocê não parte do zero: a EAP já organiza a obra em ~18 macrogrupos. Cada macrogrupo é uma frente de compra com um comprador responsável e um perfil de lead.
Cartesian · UNIVALISuprimentos · plano de compras
Recall rápido · o cruzamento que decide

Não basta ABC de valor — cruze com o lead

 Lead curto (dias)Lead longo (meses)
Classe A (muito $)Concreto, aço → controla no look-ahead, JITElevador, esquadria, fachada → compra na fundação
Classe C (pouco $)Bloco, argamassa → estoque simples, compra de rotinaItem importado barato → cuidado: barato mas trava a obra
O erro clássicoTratar tudo igual. O que quebra obra não é o item mais caro — é o item de lead longo que ninguém pediu a tempo, mesmo sendo barato.
Cartesian · UNIVALISuprimentos · ABC × lead
Estoque no canteiro

Estoque é remédio — e todo remédio tem dose

Estoque demais
Capital parado (dinheiro dormindo no pátio)
Espaço que o canteiro restrito não tem
Perda: quebra, roubo, chuva, vencimento
Estoque de menos
Ruptura: a obra para por falta de material
Compra emergencial (paga caro, sem cotar)
Equipe ociosa esperando — o custo invisível
O ponto certoEstoque é um pulmão que absorve a variação entre o consumo e a entrega. Nem tanque cheio, nem seco: o suficiente para não parar enquanto o próximo pedido chega.
Cartesian · UNIVALISuprimentos · estoque
Quando disparar o próximo pedido

Ponto de pedido

Ponto de pedido = (Consumo × Lead time) + Estoque de segurança
Consumo por semanaLead time de reposiçãoSegurança = folga para o imprevisto
Exemplo — bloco cerâmicoConsumo 5.000/semana · lead de reposição 1 semana · segurança 1 semana. Ponto de pedido = (5.000 × 1) + 5.000 = 10.000 blocos. Ao ver o pátio chegar em 10 mil, dispara o próximo pedido — como a luz da reserva do carro.
Cartesian · UNIVALISuprimentos · ponto de pedido
Aprofundando o "de segurança"

A margem não é chute — depende da variabilidade

Em uma fraseEstoque de segurança ≈ variação do consumo durante a variação do lead. Fornecedor confiável e consumo estável são o que barateiam o estoque.
Cartesian · UNIVALISuprimentos · estoque de segurança
Duas filosofias, uma obra

Just-in-time onde dá · estoque onde precisa

Just-in-time (puxado)
Concreto usinado: chega na hora da concretagem
Zero estoque, zero perda, zero capital parado
Exige fornecedor perto e confiável
Estoque de segurança
Bloco, argamassa, aço de bitola comum
Pulmão para não parar a frente de serviço
Vale quando faltar custa mais que estocar
A decisãoJIT não é "estoque zero em tudo" — é estoque zero onde o fornecedor aguenta. Em obra de canteiro restrito, JIT deixa de ser filosofia e vira necessidade: não há onde guardar.
Cartesian · UNIVALISuprimentos · JIT × segurança
O material chegou · e agora?

Recebimento e inspeção: o filtro que evita retrabalho

Por que o mestre não pode ignorarMaterial errado que entra vira retrabalho lá na frente — quando já está aplicado. O recebimento é a última chance barata de pegar o problema.
Cartesian · UNIVALISuprimentos · recebimento
Quando não bate

O que fazer com a divergência

DETECTA
Falta / avaria / spec errada
na hora do recebimento
REGISTRA
Foto + termo
documenta a ocorrência
DECIDE
Recusa parcial / total
aceita o que serve
ACIONA
Fornecedor + compras
reposição / abatimento
O erro comumReceber "no susto" para não parar a obra e resolver depois. Depois vira nunca: a NF já foi paga e o fornecedor não responde mais. Divergência se trata no ato.
Cartesian · UNIVALISuprimentos · divergência
Onde o dinheiro evapora

Comprar bem e perder no canteiro zera o ganho

9%
perda de concreto (típica)
11%
perda de aço
27%
perda de blocos
40%
perda de areia
O elo com o canteiroBaia certa, proteção da chuva, transporte que não quebra, estoque que não vence. A gestão de suprimentos não acaba na entrega — ela termina quando o material vira obra, sem desperdício.
Cartesian · UNIVALISuprimentos · perdas no canteiro
Fornecedores · quem entra na cotação

Antes de cotar, qualifique

Cartesian · UNIVALISuprimentos · qualificação
Cotação · o preço não é um número

A Cartesian cota contra três fontes

FonteO que éPara que serve
Referência de projetopreço do orçamento / índicea baliza inicial (SINAPI, memorial)
Cotação de mercadopropostas atuais (internet, fornecedor)o preço de hoje, real
Preço pago real (base Cartesian)o que a empresa já pagou em outras obraso piso de negociação — "já paguei menos"
A vantagemQuem tem memória de preço pago negocia de outro lugar. Não é "quanto você cobra?" — é "já comprei isso por X, você faz por quanto?".
Cartesian · UNIVALISuprimentos · cotação 3 fontes
Negociação

Preço é só uma das variáveis

Cartesian · UNIVALISuprimentos · negociação
Como formalizar

Modalidades de contrato de fornecimento

ModalidadeComo funcionaQuando usar
Compra simplespedido pontual, entrega únicaitem de baixa recorrência
Fornecimento contínuopreço travado, entregas ao longo da obraconcreto, aço, bloco
Empreitada (mat + mão de obra)fornece e aplicafachada, esquadria, impermeabilização
Consignadoestoque no canteiro, paga só o que usafixação, EPI, consumível
A especificação salvaO contrato só protege se o pedido for específico: bitola, fck, dimensão, acabamento, norma. Pedido vago = briga na entrega.
Cartesian · UNIVALISuprimentos · contratos
Medir a saúde da cadeia

Três indicadores que não mentem

OTIF
entregas no prazo E completas ÷ total
Taxa de ruptura
itens que faltaram ÷ itens necessários
Giro de estoque
consumo ÷ estoque médio
Como lerOTIF alto = fornecedor confiável (na data e completo). Ruptura alta = você está parando a obra por falta. Giro alto = pouco capital parado (mas cuidado com ruptura). O bom gestor persegue OTIF alto + ruptura baixa + giro saudável.
Cartesian · UNIVALISuprimentos · indicadores
Um painel de suprimentos

O que o gestor olha toda semana

94%
OTIF
meta ≥ 90% · entregas no prazo e completas
3%
Ruptura
itens que faltaram na semana · meta < 5%
Giro
consumo ÷ estoque médio · capital girando
2
Pedidos em risco
data-limite estourando · ação hoje
De onde saiTodo esse painel sai do ERP quando os dados são lançados. Sem sistema, o gestor voa às cegas — e descobre a ruptura só quando a obra já parou.
Cartesian · UNIVALISuprimentos · dashboard
ERP / Sienge · o sistema por trás

Do pedido à nota, tudo amarrado

1
Requisição
a obra pede no sistema
2
Ordem de compra
cotação → OC aprovada
3
Recebimento
baixa contra a OC
4
Nota fiscal
financeiro paga
5
BI / relatório
indicadores e custo real
O ganho do sistemaCada etapa amarra na anterior: não recebe o que não foi pedido, não paga o que não foi recebido. O custo real por item volta pra base e melhora a próxima cotação. É o ciclo se fechando.
Cartesian · UNIVALISuprimentos · ERP / Sienge
O que pode dar errado na cadeia

Os riscos que o gestor precisa antecipar

Cartesian · UNIVALISuprimentos · riscos
Caso real · o item que sumiu do preço

Auditoria de cobertura: cruzar projeto × lista × orçamento

  • O que aconteceu: um sistema de pressurização de escada existia no projeto, mas não estava na lista de compras nem no orçamento.
  • O tamanho do buraco: ordem de R$ 1,2 a 2,2 milhões — que só apareceria quando o material fosse necessário, obra em andamento.
  • Como se pega: auditoria cruzada — todo item do projeto tem que ter linha na lista e no orçamento. O que não fecha, investiga.
A lição de suprimentosO pior risco não é o item que atrasa — é o item que ninguém comprou porque ninguém sabia que existia. Suprimentos começa garantindo que a lista está completa.
Cartesian · UNIVALISuprimentos · auditoria de cobertura
O que não fazer

Cinco erros que quebram a gestão de compras

ErroConsequência
Comprar só na hora que precisaatraso — o lead do fornecedor não espera
Não rastrear a entregadescobre a falta com a frente parada
Pedido sem especificaçãovem errado → retrabalho e briga
Estoque zero de recorrentesruptura de bloco/argamassa para a obra
Não negociar entrega parceladacanteiro entupido e capital parado
Cartesian · UNIVALISuprimentos · 5 erros
Mão na massa · suprimentos

Exercício: monte o cronograma de suprimentos

Enunciado
Para a obra-tipo (14.000 m², 20 meses), pegue 6 materiais — um de cada perfil (elevador, esquadria, quadro elétrico, revestimento, bloco, concreto). Para cada um: (1) classifique ABC × lead, (2) estime o ciclo de compras (as 6 etapas), (3) dada a semana de necessidade na obra, calcule a data-limite do pedido, (4) marque quais estão em risco se hoje é a semana 20.
Cartesian · UNIVALISuprimentos · exercício
Como resolver

Gabarito — o raciocínio, não só o número

  1. Classifique. Elevador e esquadria = A/longo (compra já). Concreto e bloco = curto (look-ahead). Revestimento = médio. Quadro = longo, atenção.
  2. Some o ciclo. Elevador ~265 dias (38 sem), esquadria ~175 (25 sem), quadro ~165 (24 sem), bloco ~20 (3 sem).
  3. Recue da necessidade. Data-limite = semana de necessidade − semanas de ciclo. Elevador para a semana 60 → pedir na semana 22.
  4. Marque o risco. Se hoje é a semana 20, o elevador (limite semana 22) ainda dá — por pouco. Um de lead longo com limite < 20 já está atrasado.
Cartesian · UNIVALISuprimentos · gabarito
Bloco 4 · fechando o ciclo
04

Controlar a obra

Planejei, executei — agora meço se está indo como deveria
A pergunta que controle responde

A obra está adiantada ou atrasada? Está dentro ou fora do orçamento? E se seguir assim, onde vai parar?

A base de tudo · medição física

Não dá pra controlar o que você não mede

O elo com o orçamentoÉ o orçamento que dá o peso de cada serviço. Por isso a mesma EAP que orçou e planejou também controla: ela diz quanto cada avanço vale no todo.
Cartesian · UNIVALIControle · medição física
A ferramenta clássica

A curva-S: o avanço acumulado no tempo

Cartesian · UNIVALIControle · curva-S
Físico × financeiro

Quando as duas curvas se descolam

Financeiro adiantado do físico
Gastou/comprou mais do que produziu
Pode ser estoque parado ou adiantamento a fornecedor
Atenção ao fluxo de caixa
Físico adiantado do financeiro
Produziu mais do que pagou (ainda)
Bom sinal — mas confira se não é NF atrasada
Medição a receber pode estar represada
Onde suprimentos apareceA compra antecipada dos itens de lead longo (elevador, esquadria) infla a curva financeira antes do físico. Isso é esperado — e é bom, desde que planejado.
Cartesian · UNIVALIControle · físico × financeiro
O outro lado da curva

Histograma de desembolso: quando o dinheiro sai

Por que o gestor de obra se importaObra que "para por falta de dinheiro" quase sempre é desembolso mal planejado, não obra cara. O histograma antecipa o aperto de caixa antes dele acontecer.
Cartesian · UNIVALIControle · desembolso
Valor agregado (EVA) · a foto completa

Três números dizem tudo

PV — Valor Planejado
quanto devia estar feito (R$)
EV — Valor Agregado
quanto está feito (R$)
AC — Custo Real
quanto já gastou (R$)
O pulo do gatoO EV é o avanço físico traduzido em dinheiro (avanço % × orçamento). Comparando os três, você separa duas perguntas que sempre se misturam: estou atrasado? estou gastando demais?
Cartesian · UNIVALIControle · EVA · PV EV AC
Dois índices · prazo e custo

SPI e CPI: acima de 1 é bom

ÍndiceContaLeitura
SPI — desempenho de prazoEV ÷ PV≥ 1 no prazo/adiantado · < 1 atrasado
CPI — desempenho de custoEV ÷ AC≥ 1 no/abaixo do orçado · < 1 estourando
ExemploSPI 0,90 = a obra fez 90% do que devia até aqui (10% atrasada). CPI 0,85 = para cada R$ 1 gasto, agregou R$ 0,85 de obra (15% de estouro). Os dois juntos: atrasada e cara — sinal vermelho.
Cartesian · UNIVALIControle · SPI e CPI
Simulador · mexa e veja

Onde está a sua obra?

0% 50% 100% 0 10 20 meses --- previsto (PV) ● realizado (EV)
Cartesian · UNIVALIControle · simulador EVA
A pergunta que a diretoria faz

Se continuar assim, quanto vai custar?

EAC = Orçamento total ÷ CPI
EAC = custo final projetadoCPI 0,85 → obra de R$ 10 mi termina em ~R$ 11,8 mi
O poder do EVACom o mês 6 de 20, o CPI já projeta onde a obra vai parar de custo. Não precisa esperar o fim para saber que vai estourar — dá pra agir (o "A" do ciclo) enquanto ainda dá tempo.
Cartesian · UNIVALIControle · EAC
"

Controle sem suprimentos é cego: metade do custo da obra é material.

A curva financeira é, em boa parte, a curva das suas compras. Controlar a obra é controlar o que entra pelo portão.
Encerramento
05

Fechando a disciplina

O que fica das 20 horas — e o trabalho final
A disciplina inteira em um slide

De ponta a ponta: planejar → operar → controlar

AULA 1
Planejar
Last Planner, canteiro, Lean, conceitos de suprimentos
AULA 2
Operar
canteiro na mão, suprimentos na prática
AULA 2
Controlar
curva-S, valor agregado, agir a tempo
O fio que amarrou tudoA mesma EAP orçou, planejou, comprou e controlou. Quem domina essa espinha domina a obra — não como quem executa cada serviço, mas como quem faz tudo conversar.
Cartesian · UNIVALIFechamento · recap
Para levar pra obra segunda-feira

Cinco coisas que não podem ser esquecidas

Cartesian · UNIVALIFechamento · takeaways
Avaliação da disciplina

Trabalho final — a sua obra

Proposta
Escolha uma obra (real ou hipotética) e entregue: (1) o layout de canteiro dimensionado pelo pico de efetivo — pode usar o app; (2) um cronograma de suprimentos com 8 itens (ABC × lead, ciclo de compras, data-limite do pedido); (3) uma análise de controle num marco da obra (curva-S prevista × uma leitura de SPI/CPI). Formato e prazo a confirmar com a coordenação.
Cartesian · UNIVALIFechamento · trabalho final

Obra boa não é a de sorte — é a que foi gerida.

Planejou o canteiro pelo pico
Comprou pensando no ciclo, não no pedido
Mediu para corrigir a tempo
Obrigado, Turma IV. — Prof. Leonardo Kock · Cartesian Engenharia · leonardo@cartesianengenharia.com
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